Fazendas, refinarias, fábricas, terminais portuários e até autódromos já operam suas próprias redes 4G e 5G no país. Em propostas, editais e buscas, essas redes aparecem ora como redes privativas, ora como redes privadas. A palavra escolhida não altera nada na Anatel; o que altera o projeto e o processo é outra decisão, tratada mais adiante.
Onde as redes privativas já trabalham bem
O mesmo levantamento estima cerca de 2.500 ERBs e 89 mil dispositivos com SIM conectados a essas redes, distribuídos por setores bem diferentes.
Agronegócio
Lidera com 28% do total, a maioria em 4G na faixa de 700 MHz pela cobertura mais ampla. Uma novidade são redes para a pecuária, usadas no rastreamento do gado.
Óleo e gás
Segundo setor, em plataformas e refinarias, a rede privativa leva voz, dados e sensores a áreas onde a cobertura pública não chega. a Petrobras concentra 42 redes 4G entre plantas onshore e offshore.
Indústria e energia
No setor elétrico, Copel e CPFL estão entre os maiores projetos recentes. A Nestlé opera em Caçapava (SP) uma rede 5G standalone 100% on premises, separada da rede pública, e a Gerdau conecta máquinas e sistemas em Ouro Branco (MG).
Eventos e transmissões
A Globo usa 5G privativo na cobertura de Carnaval, festivais e futebol, e a Stock Car monta e desmonta uma rede a cada etapa, em autódromos diferentes.
O que esses casos têm em comum é o controle: cobertura onde a operação precisa, capacidade reservada para as aplicações da empresa e dados circulando dentro do perímetro definido no projeto.
Rede privativa ou rede privada, o termo muda alguma coisa?
Do ponto de vista regulatório, não. A própria Anatel utiliza as expressões “redes privadas” e “redes privativas” em diferentes publicações. Do ponto de vista regulatório, o termo, por si só, não determina o enquadramento: o que importa é o serviço prestado e o modelo de uso do espectro.
“Privativa” aparece com mais frequência na comunicação da Anatel e na imprensa especializada; “privada” é comum em traduções de private network. Um cuidado prático: em TI, “rede privada” também nomeia VPNs e redes locais corporativas, então escrever “rede celular privativa 4G/5G” em propostas e editais evita leituras erradas do escopo.
O que muda o projeto e o processo Anatel é o modelo de espectro
A decisão que pesa é de quem será a faixa de frequência, e há dois caminhos principais.
Espectro autorizado, via SLP. A organização que vai usar a rede torna-se titular da outorga e da autorização de uso de radiofrequência. O processo segue quatro etapas:
Outorga do SLP
Pedido de autorização do serviço de interesse restrito, pelo SEI da Anatel.
Radiofrequência
Autorização de uso por área de cobertura, no sistema Mosaico, em caráter secundário.
Licenciamento
Cadastro das estações no Mosaico, conforme o Regulamento Geral de Licenciamento.
Operação
Rede ativa com equipamentos homologados e dentro das condições técnicas da faixa.
Espectro de operadora. A rede é implantada com faixas licenciadas de uma operadora, que mantém a titularidade e conduz o processo regulatório. A empresa contrata a solução e define os requisitos de cobertura, capacidade e localização do núcleo e dos dados.
No projeto, o modelo define a faixa, e a faixa define o alcance de cada célula, a quantidade de sites, os equipamentos compatíveis e a coordenação com vizinhos. Uma rede de fazenda abaixo de 1 GHz e uma rede de chão de fábrica em 3,7 GHz são projetos bem diferentes, mesmo com o mesmo nome no contrato.
IA Física e o lugar onde a rede processa os dados
A IA Física, formada por sistemas que percebem o ambiente, raciocinam e agem por meio de robôs, sensores e veículos, está entre as aplicações que mais dependem dessas escolhas. Robôs móveis autônomos, inspeção visual de qualidade e braços guiados por visão 3D enviam vídeo e dados de sensores de forma contínua. Para eles, contam a previsibilidade da latência e a capacidade de uplink, não o nome da rede.
A pergunta útil no projeto é onde ficam o núcleo e o processamento. O Baicells HaloB embarca o núcleo da rede na própria eNodeB, ativado por licença de software, e o local breakout mantém no site o tráfego que segue para o servidor de inferência. Assim, o registro e a comunicação dos robôs não dependem de enlace até um núcleo remoto, desde que rádio, núcleo, rede local e aplicação sigam operando; a ativação de um SIM novo ainda consulta o BOSS.
Privativa ou privada, o nome pode seguir o costume de quem escreve a proposta. O que precisa ficar claro desde o início é o modelo de espectro, a faixa e onde ficam o núcleo e os dados, porque são essas escolhas que definem o projeto e o caminho na Anatel.
A Telesys apoia integradores na escolha do modelo de espectro, no dimensionamento da rede e na documentação para a Anatel.
A Telesys fornece no Brasil, com mais de 30 anos de trajetória, equipamentos small cells eNodeB e gNodeB Baicells, soluções de backhaul Mimosa e infraestrutura completa para redes privativas, trabalhando com integradores especializados:
- Portfólio completo: eNodeBs, gNodeBs, backhaul, core network, antenas, acessórios
- Suporte técnico: Dimensionamento de projeto, cálculo de link budget
- Assistência regulatória: Orientação sobre processo Anatel e documentação técnica
- Capacitação: Treinamentos para equipe técnica em implementação e otimização
- Estoque nacional: Disponibilidade imediata